Setor automotivo contribui para a melhora da atividade industrial e exportações em 2017

O setor automotivo finalmente voltou a crescer em 2017, depois de três anos em retração. No ano, foram produzidos 2,7 milhões de veículos, considerando os automóveis de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões. Tal número representa um crescimento de 25,2% ante o ano de 2016, como pode ser visto no Quadro 1.

Quadro 1: Produção de veículos (em unidades) e variação no ano

Mesmo com a forte alta, o setor ainda se encontra 27,3% abaixo do pico de produção, em 2013, quando foram produzidos cerca de 3,7 milhões de unidades. No triênio 2014 a 2016, a produção de veículos amargou retração acumulada de 42,0%.

A expansão do setor automotivo em 2017 foi um dos principais vetores para o crescimento da atividade industrial ao longo do ano. Nessa última sexta-feira, o IBGE divulgou que a indústria registrou modesta expansão de 0,2% no mês de novembro. No acumulado do ano, a alta é de 2,3%, como pode ser visto no Quadro 2.

Quadro 2: Indicadores da Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas

Dentre as grandes categorias econômicas, o principal destaque positivo foi a produção de bens duráveis, que cresceu 2,5% no mês. E acumula alta de 12,7% no ano, justamente a categoria que contempla, dentre outros setores, a produção de veículos.

Mas, o que explica tamanha alta em um ano ainda fraco do ponto de vista de dinâmica do mercado interno? A explicação foi o elevado salto das exportações. Com um volume de 762 mil unidades exportadas, as exportações de veículos cresceram 46,5% em 2017 ante o ano anterior, como pode ser visto no Quadro 3.

Quadro 3: Var. % das exportações (em unidades) e relação exportações/produção

Este foi o terceiro ano consecutivo que as exportações brasileiras de veículos registraram crescimento. Assim, dado o direcionamento das montadoras para o mercado externo, em face do mercado interno ainda fraco, a relação entre as exportações e a produção ficou em 28,2%, maior proporção desde 2005 quando foi de 30,7%.

O ponto positivo é que as vendas internas voltaram a crescer em 2017. Segundo a Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias de veículos, os emplacamentos cresceram 9,2% em 2017, depois de três anos seguidos em queda.

O forte crescimento das exportações de veículos fez o item ganhar importância na pauta exportadora brasileira e foi um dos responsáveis pelo superávit recorde de US$ 67 bilhões. Em 2017, as exportações de veículos de passeio ocuparam o quinto lugar no ranking dos itens mais exportados pelo país, como pode ser visto no Quadro 4.

Quadro 4: Produtos mais exportados pelo país em 2017

A liderança da pauta exportadora brasileira ficou a venda de soja, seguida pelo minério de ferro, petróleo bruto, açúcar e finalmente os automóveis, único item manufaturado no top 5 da pauta exportadora do país.
Em 2016, o item havia ficado em nono lugar com vendas de US$ 4,7 bilhões. Em 2017, em valor, as vendas saltaram 42,8%, para US$ 6,7 bilhões. O principal destino foi o mercado argentino, responsável por 71,5% (US$ 4,8 bi) das compras dos automóveis brasileiros.

Para 2018, as expectativas seguem positivas para o setor. A América Latina segue em recuperação, favorecida pela melhora dos termos de troca e por uma mudança na condução da política econômica, com vários países adotando uma postura mais racional, como é o caso da Argentina, com o presidente Maurício Macri. Assim, as exportações devem seguir em expansão, mesmo que a uma taxa mais modesta.

Do lado interno, a expectativa é que o mercado interno apresente números mais robustos em virtude da melhora da confiança dos consumidores, queda da taxa de juros, e melhora do mercado de crédito e trabalho. Dessa forma, o crescimento em 2018 deve ser mais equilibrado entre o mercado externo e interno.

Por fim, a indústria automotiva é importante para a atividade industrial como um todo, dado que movimenta uma série de outros setores, como a produção de aço, autopeças, entre outras. Dessa forma, a perspectiva segue favorável para a produção industrial, que deve fechar 2017 com alta de 2,5% e acelerar para um crescimento de cerca de 4,5% em 2018.

Luiz Fernando Castelli
Economista-chefe da GO Associados