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MINUTO DE ECONOMIA – EDIÇÃO ESPECIAL

Declaração à Nação de Bolsonaro não é a Carta ao Povo brasileiro de Lula, mas “os escritos permanecem”…  

  • A nota do presidente Bolsonaro ameniza as manifestações públicas ditas nos protestos de 7 de setembro. As ameaças ao Ministro Alexandre de Moraes e ao não cumprimento de decisões judiciais foram retiradas, com a afirmação do respeito e a independência entre os poderes e até mesmo uma menção respeitosa ao Ministro Moraes. 
  • O sinal negativo do mercado ao discurso de 7 de setembro foi claro. O Ibovespa caiu 3,78% ontem e o dólar ultrapassou a barreira dos R$ 5,30. Com a divulgação da Nota, habilmente urdida com a colaboração do ex-presidente Temer, o mercado reagiu positivamente subindo 1,72%, (115,4 mil pontos), com o dólar caindo 1,85% para R$ 5,22.   
  • A iniciativa, mediada com competência pelo ex-presidente Temer, é bem-vinda. A situação da economia é delicada, com o avanço da inflação que está próxima de dois dígitos e a recuperação aquém das expectativas. 
  • A colaboração entre os poderes, ainda que com divergências, é um caminho indispensável para adotar as medidas necessárias para estabilizar a economia e voltar a crescer de forma sustentada.  
  • Entretanto, para que esta nota continue a ter impactos positivos é preciso que o tom ameno se mantenha. Outros recuos ocorreram no passado recente de forma que a expectativa é de que a tensão entre os poderes continue tendo altos e baixos.  
  • Chama a atenção que a Carta de Bolsonaro tem a propriedade salientada por Temer em outra carta histórica redigida pelo próprio Temer à então presidente Dilma. O documento do ex-presidente, decerto escrito, abre com a frase “verba volant, scripta manent”, ou “as palavras voam, os escritos permanecem”.  
  • Em contraste com a Carta ao Povo brasileiro de Lula, a carta de Bolsonaro não chega a reverter por algum tempo as expectativas pessimistas em relação à política econômica.  Mas pelo menos chega a aliviar a tensão em um momento crítico para o país.   

Alta dos combustíveis faz inflação chegar próximo de dois dígitos…   

  • O IPCA de agosto registrou alta de 0,87%, acima da expectativa da GO Associados (0,74%) e do mercado (0,71%), constituindo a maior variação para agosto desde 2000.  
  • No acumulado de 12 meses até julho, o IPCA variou 9,68%. A inflação acumulada em 2021 até julho foi de 5,86%, superando, em apenas oito meses, a meta para 2021 (5,25%). 
  • A GO Associados atualizou sua projeção do IPCA para 2021, de 7,3% para 7,6%. Concorreram para a mudança a perspectiva de um câmbio em patamar mais alto pelo restante do ano e a confirmação da bandeira de escassez hídrica. 
  • O grupo transportes foi responsável pela maior alta (1,46%). O preço dos combustíveis chegou a 2,96%. 
  • O item alimentação e bebidas apresentou a segunda maior alta, 1,39%. A alimentação em domicílio, 1,63%, foi impulsionada pelo preço dos alimentos, como batata-inglesa, 19,91% e café moído, 7,51%. Já a alimentação fora do domicílio, 0,76%, deve contribuir ainda mais para a inflação nos próximos meses, dada a retomada de atividades em bares e restaurantes.  
  • O grupo habitação, e em especial a conta de luz, tiveram um impacto menor em agosto. Entretanto, isso não deve ocorrer em setembro, quando passa a vigorar a bandeira de escassez hídrica, 14,20 a cada 100kWh, a GO Associados estima que o impacto da mudança de bandeira tarifária será de aproximadamente 0,4 p.p..  
  • Ainda no setor de habitação, o gás de cozinha (2,40%) e o gás encanado (2,70%) também contribuíram para o resultado da inflação. O governo federal editou uma Medida Provisória em março que zerou os impostos federais (PIS/Confins) sobre o botijão de gás. No entanto, tal providência não foi suficiente para a redução do preço do botijão, já que outros fatores são mais importantes, como o câmbio e o preço do petróleo no mercado internacional.   
  • O preço do gás é formado com base no mercado internacional e, portanto, sofre pressão do dólar, que tem ficado acima dos R$5 em razão da instabilidade política no Brasil. No acumulado de 12 meses o preço do botijão de gás disparou 31,70%, mais de três vezes acima do índice de inflação.  

Preço médio e composição do preço do botijão de gás no Brasil 

  • O câmbio é atualmente o principal fator de pressão para alguns itens da inflação, como o gás de cozinha e os combustíveis. Outros fatores, como a crise hídrica e a retomada do setor de serviços também pressionam o ritmo de aumento dos preços.  
  • Os seguintes itens podem influenciar a inflação dos próximos meses: 
  1. o avanço da vacinação, que incentiva a retomada dos serviços;  
  1. a instabilidade política, que pressiona o câmbio; e 
  1. As geadas e o frio extremo em regiões produtoras de alimentos, somadas com a crise hídrica podem prejudicar a produção e pressionar os preços. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou hoje o 11º levantamento de grãos da safra 2020/2021. A projeção do volume de produção de grãos é de 254 milhões de toneladas, uma redução de 6,8 milhões de toneladas com relação ao levantamento de julho e de 3 milhões comparado a safra de 2019/2020.  
  • Um novo risco inflacionário é o movimento dos caminhoneiros, cuja força e abrangência ainda são incertos. Em 2018 a greve dos caminhoneiros, que ocorreu no fim de maio, causou um salto nos preços captado no IPCA de junho. A projeção do IPCA de junho era de 0,22% em abril daquele ano contra um resultado de 1,26%. 
  • O impacto da atividade medida pelo PIB foi mais permanente: a mediana das projeções de crescimento do PIB antes em abril de 2018 era 2,8% contra um resultado de apenas 1,8%. 

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