Inflação sobe acima do previsto em dezembro, mas não altera cenário benigno para 2018

O IBGE divulgou hoje que o IPCA apresentou alta de 0,44% no mês de dezembro, ficando acima da projeção da GO Associados e da mediana do mercado, que eram de 0,28% e 0,30%, respectivamente. Apesar da surpresa altista, o IPCA encerrou o ano com alta de 2,95%, menor nível desde 1998 e abaixo do piso da meta, de 3,0%.

Contrariando o ocorrido ao longo do ano, a principal surpresa altista em dezembro se deu no grupo alimentação e bebidas, que subiu acima do esperado. Com alta de 0,54%, rompeu uma sequência de sete meses em deflação. Apesar do resultado acima do esperado, o grupo registrou deflação de 1,5% no ano, sendo que o subgrupo alimentos no domicílio teve queda de 4,9% no ano.

O grupo com maior impacto na inflação do mês foi o grupo transportes, com alta de 1,23%, refletindo a alta sazonal dos preços das passagens aéreas (+22,3%) e dos combustíveis: gasolina (+2,3%) e etanol (+4,4%). Por outro lado, dois grupos registraram deflação: habitação e comunicação. Destaque para o primeiro, com queda de 0,40%, devido à redução de 3,09% do preço da tarifa de energia elétrica.

Apesar do resultado do IPCA acima do esperado, isso não altera o cenário inflacionário benigno esperado para 2018. A projeção para 2018 segue em 4,0%.

Os alimentos não devem dar a mesma contribuição desinflacionária que deram em 2017, mas não devem ser fonte de preocupação. Por outro lado, os itens de serviços e administrados devem apresentar desaceleração em virtude dos reajustes modestos que sofrerão este ano, como o salário mínimo que deve subir apenas 2,1%, e itens indexados ao IPCA (+2,95%) ou ao IGP-M (-0,52%).

Para janeiro, por exemplo, a GO Associados projeta alta de apenas 0,27%, o que faria o indicador recuar no acumulado em 12 meses para 2,83%. Boa parte dessa baixa inflação se deve à volta da bandeira verde nas contas de energia elétrica, que retirará 0,22 ponto percentual da inflação do mês.

Tal cenário reforça a possibilidade de o Copom reduzir a Selic em 0,25 pp na reunião de fevereiro, para 6,75% ao ano. E manter a taxa em um nível baixo ao longo de boa parte de 2018, ajudando na recuperação da atividade.

Luiz Fernando Castelli
Economista-chefe da GO Associados