Gesner Oliveira: Desemprego Desacelera, mas “Ainda há Longo Caminho Pela Frente”

Os dados da pesquisa do IBGE sobre o desemprego no Brasil divulgados ontem, embora ainda preocupantes, trazem algum alento. “A queda do nível de ocupação na economia brasileira desacelerou na comparação com o mesmo período do ano passado. Pela primeira vez, desde julho do ano passado, a velocidade de queda do emprego diminuiu”, afirmou o economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, em sua coluna na rádio Bandeirantes, que vai ao ar sempre às terças e quintas-feiras, às 7h30.   Em maio, a queda foi de 1,36%, um pouco menor do que o declínio de 1,68% em abril.
       
“Ainda é cedo para comemorar, mas é um sinal”, afirmou Gesner. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em maio. Esse número representa uma alta de 3,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando a taxa de desemprego foi de 8,1%. Em termos absolutos, cerca de 11,4 milhões de pessoas estão sem emprego no país.
 
O economista da GO Associados reforça que os números ainda não mostram que a taxa de desemprego vai recuar. “Deve, sim, crescer de forma menos acelerada nos próximos meses.” Para que a taxa de desemprego se estabilize, lembra, o país precisaria gerar o mesmo número de vagas que o crescimento da força de trabalho, de 2% ao ano. “Ainda há um longo caminho pela frente”, diz Gesner.
 
O sócio da GO destaca que, para acelerar o processo de recuperação da atividade econômica, o “governo precisa enfrentar a crise fiscal”. Ontem, o setor público brasileiro bateu mais um recorde negativo, com déficit primário de R$ 18,1 bilhões em maio. Nos últimos 12 meses, o rombo foi de R$ 150,5 bilhões.  Além disso, os juros devem demorar mais que o esperado para cair. “A inflação, assim como o desemprego, continua sendo um problema para as famílias.” Ontem, a FGV mostrou que a inflação continua elevada. O IGP-M apresentou alta de 1,69% em junho, puxado pelos preços de alguns alimentos, como a soja, o feijão e o milho, no atacado.