Continuidade da agenda reformista é necessária para sustentar de crescimento

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem a taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 7,50% ao ano, e o plenário da Câmara aprovou o relatório favorável ao presidente Temer, por 251 votos a 233. “Ambos os acontecimentos eram previstos, a grande questão é o que acontecerá depois das decisões” afirmou o economista e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, hoje pela manhã e sua coluna na rádio Bandeirantes.

No caso do Banco Central, Gesner diz que, no comunicado pós-decisão, os membros do Copom deixaram algumas pistas do que pretendem fazer nas próximas reuniões. Segundo ele, a inflação acumulada de 12 meses em 2,5% e o cenário externo de alta liquidez e câmbio em níveis comportados devem fazer o comitê levar os juros para 7,0%, na última reunião do Copom em dezembro, com um corte de mais 0,5 ponto percentual na Selic.

No entanto, o sócio da GO diz que, embora positiva, a própria queda atual ainda está sob risco. Conforme o mesmo comunicado do Copom, Gesner diz que dois fatores podem mudar o cenário de queda dos juros. O primeiro fator é o fato de que os juros internacionais, que dependem da política monetária dos EUA, sujeita aos humores de Donald Trump. O segundo é que, se as reformas não prosseguirem no Brasil, ajustando a economia, não será possível baixar os juros de forma sustentada.

Em relação ao relatório favorável ao presidente Temer, Gesner diz que, terminado o longo e custoso processo da segunda denúncia de Janot, o país precisa começar a discutir uma agenda séria para transformar a recuperação em crescimento sustentado. “A votação obtida ontem não garante este cenário, mas pode representar uma base mínima de apoio a uma agenda inadiável”, afirma.