Quem é Gesner Oliveira, professor da FGV e Economista do Ano

Ele comanda a GO Associados, uma das mais bem sucedidas consultorias do País, e dá aulas até hoje: conheça a história de Gesner Oliveira

SÃO PAULO – Uma das primeiras preocupações do professor da FGV Gesner Oliveira ao redigir o texto de agradecimento ao prêmio Economista do Ano, recebido por ele no último dia 15 de agosto, foi deixar claro que o mérito pela honraria não era só dele. Com rica carreira tanto na academia quanto no setor privado e público, Gesner fez questão de lembrar da importância das experiências e trocas que teve nos mais de 35 anos de atividade como professor, pesquisador, economista, gestor público e consultor. Ele recordou dos tempos na Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), na Unicamp e na Universidade da California em Berkeley. Contou das passagens pela Fipe, Cebrap e pelo Ministério da Fazenda. Lembrou das presidências do Cade e da Sabesp e mostrou que continua mais ativo do que nunca como professor da Fundação Getulio Vargas e consultor da GO Associados, da qual é sócio-fundador. “Tenho andado em boa companhia”, afirmou.

Leia o discurso feito por Gesner Oliveira durante a aceitação do prêmio

Gesner Oliveira, professor da FGV, sócio fundador da GO Associados e com passagens pelo Cade e pela Sabesp vence o prêmio Economista do Ano 2016 (Foto: GO Associados / Divulgação)
Gesner Oliveira, professor da FGV, sócio fundador da GO Associados e com passagens pelo Cade e pela Sabesp venceu o prêmio Economista do Ano 2016 (Foto: GO Associados / Divulgação)

E, desde cedo, Gesner, hoje com 60 anos, parece ter percebido que, para andar em boa companhia, era preciso, antes de mais nada, andar – literal e simbolicamente. Quando começou a trabalhar no Ministério da Fazenda, ouviu de um antigo e sábio funcionário que o segredo era não ficar dentro daquilo que em Brasília ainda se chama de “gabinete”. “Saia de seu Gabinete e circule”, disse. Gesner seguiu à risca este conselho. Recusa-se a ter mesa fixa ou sala própria. O trabalho em equipe exige espaço aberto e interação permanente.

Ao circular e se expor ao novo e ao diferente, Gesner desenvolveu uma curiosidade que o levou às mais variadas áreas do conhecimento e lhe fez valorizar a multidisciplinaridade que ele hoje coloca em prática, de forma dedicada e rigorosa, tanto na vida quanto nos negócios.

A curiosidade como ponto de partida

Na adolescência, vivida na São Paulo dos anos 1970, já é possível ver a curiosidade de Gesner aflorando. Aos 17 anos, por exemplo, Gesner correu atrás da chance de estudar fora por meio de um programa de intercâmbio oferecido pelo Colégio Rio Branco, do qual era aluno. Selecionado, foi viver nos Estados Unidos, na cidade de Slippery Rock, no interior da Pensilvânia, onde mergulhou na cultura americana e assimilou o que de melhor ela tinha a oferecer. Passava tardes na biblioteca da escola e chegou a assinar o Wall Street Journal, para surpresa de seus “pais” americanos. Encantou-se com a competitividade e o respeito às regras dos colegas na escola, onde também participou do time de atletismo. Era a única coisa que conseguia fazer direito uma vez que ninguém jogava futebol brasileiro e não tinha porte para o futebol americano.

De quebra, aperfeiçoou o inglês e, quando voltou ao Brasil, colocou em prática o que aprendeu e passou a dar aulas do idioma numa rede de cursos de inglês de São Paulo. O ímpeto em colocar o conhecimento para funcionar – e de não apenas acumulá-lo, mas fazê-lo gerar alguma coisa – logo se tornou outra marca de Gesner, que durante toda a carreira manteve olhar prático diante do saber.

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Nesse sentido, a escolha pela economia veio naturalmente e em 1975, Gesner ingressou na FEA-USP. O interesse veio, primeiro, como consequência da paixão pela política, mas se ampliou rapidamente. Hoje, Gesner argumenta que o economista, quando despido do que ele chama de “soberba da profissão”, tem o privilégio de entender a natureza multidisciplinar dos problemas do mundo real. De fato, poucas disciplinas são tão aptas ao cruzamento com áreas tão distintas do conhecimento quanto a economia. A economia já é usada para ajudar a compreender e produzir novos insights nas ciências sociais, no direito e na jurimetria, além do marketing, da inteligência de mercado e até da psicologia.

O professor e pesquisador Gesner Oliveira

Além de dar ótima formação, a faculdade fez aflorar em Gesner o germe da pesquisa e da docência – esta última gestada em sua adolescência, com as aulas de inglês. No primeiro ano do ensino superior, por exemplo, ele já era pesquisador-assistente e monitor do Departamento de Economia na FEA-USP. Seguiu os anos de formação assim, comprometido com os estudos e os alunos. Formado, em 1980, mergulhou no mestrado na Unicamp, orientado pelo então professor e futuro orientador José Serra e, em 1981, se tornou pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). No órgão, reforçou as convicções sobre a importância da multidisciplinaridade, principalmente nos esforços para destrinchar grandes movimentos econômicos e planejar políticas nesse sentido. (continua depois da foto)

imagem frontal de gesner oliveira
“A permeabilidade da cultura de negócios dos Estados Unidos ao diferente, o valor que eles dão ao embate, à discussão e à discordância como caminho para os melhores resultados foi algo que levei para a vida”, diz Gesner sobre o tempo na Universidade da Califórnia em Berkeley, onde fez doutorado. (Foto: GO Associados / Divulgação)

Sedento por conhecimento e já mestre em 1984, Gesner viu a chance de voltar para os Estados Unidos – dessa vez, para fazer doutorado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, como bolsista do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). “Fui fortemente influenciado pela experiência na Califórnia, sempre muito progressista e aberta”, diz. Lá teve contato com a cultura do Vale do Silício, de extrema, mas franca competição, e conheceu figuras importantes na sua vida acadêmica e profissional, como o economista e intelectual Albert Fishlow, hoje consultor sênior da GO Associados. “A permeabilidade da cultura de negócios dos Estados Unidos ao diferente, o valor que eles dão ao embate, à discussão e à discordância como caminho para os melhores resultados foi algo que levei para a vida”, afirma.

Não à toa, já na década de 1990 e de volta ao Brasil, Gesner foi chamado para trabalhar como Secretário Adjunto de política Econômica do Ministério da Fazenda e depois para Secretário de Acompanhamento Econômico do mesmo ministério. Participou das discussões e ajudou nas fases crítica de implementação do Plano Real. Escreveu um livro a respeito desta experiência chamado Brasil-Real, que ganhou Prêmio Jabuti em 1997.

Depois desta experiência queria voltar para São Paulo, mas foi convocado para presidir o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão máximo da defesa da concorrência no País. Ainda no Ministério da Fazenda havia participado da discussão da modernização da legislação de defesa da concorrência. Pois então que assumisse a Cade. Topou o novo desafio e voltou para Brasília sem nunca ter voltado para São Paulo.

Apesar dos cargos públicos, nunca deixou de ser professor. Foi professor da PUC-SP muito cedo, professor assistente na Universidade da Califórnia, passou em concursos na FEA-USP e acabou escolhendo a Escola de Administração da FGV.

Ambas posições, no Cade e na docência, dependem de um profundo entendimento do valor do debate e da discordância. “Dar aulas sempre foi um prazer”, diz. “Gosto de explicar e ver as coisas explicadas – me alimento dessa ilusão de ordem que muitas vezes serve como ponto de partida para novas ideias”, diz. A inquietude ainda o levou à presidência da Sabesp, entre 2006 e 2010 e, ao cargo de professor visitante do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.

A disciplina beneditina de Gesner Oliveira

Hoje à frente da GO Associados, que tem mais de 100 clientes, Gesner Oliveira não dá sinais de que pretende desacelerar. Seus dias geralmente começam às 5h30 e a jornada de trabalho raramente é inferior a 12 horas. Regrado, exercita-se todos os dias por cerca de duas horas, é viciado em corridas de rua e come, disciplinadamente, o que manda sua nutricionista, que o acompanha há mais de uma década. Entre os que convivem com Gesner, o marmitão, onde ele leva as cinco refeições diárias indicadas pela profissional, já é quase um personagem. “Estou tentando desacelerar, trabalhar um pouco menos e ficar mais com a família”, diz ele, que é casado e tem dois filhos. “Mas sou inquieto e quando fico parado, chego a me sentir mal!”, brinca. (continua depois da foto)

Equipe da GO Associados em sala de reunião
Gesner Oliveira (de pé, o quarto da esquerda para a direita) recusa-se a ter mesa fixa ou sala própria e valoriza o trabalho em equipe (Foto: GO Associados / Divulgação)

Com a consultoria funcionando bem e os clientes felizes, mesmo em tempos economicamente complicados para o Brasil, Gesner tem trabalho de sobra. O olhar verdadeiramente curioso e afiado faz de Gesner um valioso aliado de seus clientes. Foram décadas de dedicação na academia e no trabalho, curiosidade quase insaciável e ótimas companhias que viabilizaram conquistas e importantes reconhecimentos, como o de Economista do Ano 2016. Bem acompanhado, Gesner segue seu caminho.

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