Destaques da Lava Jato – 21 a 28 de novembro

Esta edição do Relatório Executivo traz informações sobre os acordos de delação dos executivos da Odebrecht, a devolução de R$ 204,2 mi pela Petrobras devido às investigações da Lava Jato e informações sobre a ré Claudia Cruz, esposa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.

AGENTES POLÍTICOS

Claudia Cruz, jornalista e esposa do deputado cassado Eduardo Cunha

[1] Foto retirada do Google
[1] Foto retirada do Google

A jornalista Claudia Cruz, esposa do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi interrogada pelo juiz federal Sérgio Moro na quarta-feira (16). Claudia é ré em um dos processos da Operação Lava Jato, acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Depois do interrogatório, a esposa de Cunha foi visitá-lo na Superintendência da Polícia Federal, onde está preso desde 19 de outubro.

De acordo com as investigações, Cláudia foi favorecida com parte de uma propina milionária supostamente recebida pelo marido. O dinheiro teria sido um pagamento ilícito pela viabilização da aquisição, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África. Segundo o MPF, ela tinha consciência dos crimes que praticava e usou o dinheiro para pagar despesas de cartão de crédito no exterior em um montante superior a R$ 1 milhão, entre 2008 e 2014. Cláudia negou que, em algum momento, teve a intenção de ocultar dinheiro no exterior.

EMPRESAS

Odebrecht, empreiteira investigada na Operação Lava Jato

Procuradores da República e advogados da empreiteira Odebrecht fecharam na última quarta-feira (23) os termos dos acordos de delação premiada de executivos e ex-executivos da empresa. Ao todo, quase 80 nomes ligados à empresa devem assinar individualmente os acordos, entre eles o fundador Emilio Odebrecht e seu filho, o ex-presidente Marcelo Odebrecht.

Prevista para ocorrer ontem, a assinatura dos acordos foi adiada para, pelo menos, a próxima semana, por conta do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. O acordo de leniência da empreiteira também envolve os EUA, porque parte dos crimes foi cometida em obras fora do Brasil. O que precisa ser acertado é quanto da multa a ser paga, estimada em US$ 2,5 bilhões, ficará no Brasil e quanto ficará nos EUA.

Tanto os procuradores brasileiros como americanos correm para fechar o acordo antes da mudança de governo nos Estados Unidos. O presidente eleito Donald Trump toma posse em 20 de janeiro e pode mudar a equipe do Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) responsável pelo acordo.

Após as assinaturas dos acordos, os executivos passarão a prestar depoimentos ao Ministério Público Federal (MPF). Como são muitos nomes, os depoimentos devem demorar mais de um mês, uma vez que cada um depõe individualmente. A previsão é de que os acordos só sejam enviados para homologação do Supremo Tribunal federal (STF) no ano que vem. A delação dos executivos da empreiteira é tida no campo político, como a de maior impacto nas investigações da Lava Jato e por isso é também chamada de delação do ‘fim do mundo político’.

Petrobras, maior estatal brasileira especializada na indústria de óleo, gás natural e energia

O MPF devolveu à Petrobras R$ 204,2 milhões recuperados por meio de acordos de colaboração e de leniências celebrados a partir da Operação Lava Jato. A cerimônia ocorreu na sexta-feira (18), em Curitiba, e contou com a presença do presidente da Petrobras, Pedro Parente.

De acordo com o MPF, o dinheiro é resultado de 21 acordos e, ao todo, já foram devolvidos R$ 500 milhões à Petrobras por meio da Lava Jato. Isso equivale a 8% dos R$ 6,2 bilhões que a companhia lançou como prejuízos causados pela corrupção no balanço de 2014. Um relatório da PF do final de 2015, contudo, aponta que a empresa foi lesada em R$ 42 bilhões, ou 84 vezes o valor restituído.